Afrodescendentes: passado, presente e futuro

Por Luisa Tasima

A população brasileira é formada a partir de três povos distintos: europeus, indígenas e africanos. Conhecemos a história como os europeus dominadores, os indígenas sendo habitantes primários inocentes e os africanos como principais vítimas, que tem seu papel na história brasileira resumido em dor e sofrimento. Essa visão nos permite afirmar que nós somos formados em grande parte por personagens considerados “coadjuvantes” em nossa história, já que os afrodescendentes estão fortemente presentes na atual formação da população brasileira. Será mesmo que a nossa população é originada por “coadjuvantes”? Será que os africanos foram apenas vítimas na história do Brasil? Será que os afrodescendentes carregam esse fardo até os dias de hoje? Qual o destino das origens africanas no futuro povo brasileiro?

A vinda dos africanos para o Brasil já não permite colocá-los em um papel secundário. Houve mais de um período na história em que a escravidão alterou todo o contexto local, não se restringindo apenas ao Brasil! A dispersão de povos africanos pelo mundo alterou de forma significativa o quadro social, cultural e econômico dos países aos quais estes foram forçadamente colocados. Por mais passiva que a presença africana fosse imaginada pelos países dominadores, ela não pode se restringir ao trabalho forçado apenas. No caso do Brasil, traços culturais africanos foram trazidos com eles e difundidos, assim como contribuições para o rumo da história de modo geral: a proibição de seu tráfico leva a vinda de imigrantes, a força de seu trabalho é que coloca o Brasil como principal produtor de açúcar por volta do século XVI/XVII,… Sendo assim, por mais triste que seja considerar o contexto da escravidão para mostrar a papel do africano na história, é a partir dele que podemos demonstrar que esse papel existe e é de grande relevância para uma história geral.

Dentro da história brasileira, colocar o africano como simples vítima e sofredor das ações europeias é um erro. A ideia que se tem sobre os escravos africanos como vítimas coloca-os como não participantes da história, aqueles que não interferem nela. Não havia uma aceitação da condição de escravidão pura e simplesmente; apesar de alguns povos já lidarem com escravos em suas terras de origem, viver sob aquelas condições não agradava a ninguém. Assim, havia reações contra a escravidão na forma de motins, assassinatos, revoltas, sequestros, suicídios e com a formação dos quilombos. Não podemos ver os negros africanos como passivos da história brasileira. Apesar das tentativas dos povos dominantes de omitir informações a respeito de suas grandes interferências na história, elas existem.

Falar sobre os afrodescendentes hoje se tornou mais fácil, mas não quer dizer que os preconceitos acabaram. Desde a época colonial esses afrodescendentes sofriam com discriminações por parte tanto dos europeus dominadores como dos próprios negros africanos, por fazerem parte de uma forma um pouco mais consistente (não muito melhor) do sistema de dominação do período. Com a maior difusão desses afrodescendentes, eles começaram a ganhar espaço no quadro social brasileiro devido ao seu grande número por todo país. A mistura de aspectos europeus e africanos começou a ser mais aceita a ponto de se agregar com a cultura geral do brasileiro, passando a fazer parte dela. Muitos costumes que temos nos dias de hoje são vindos dos povos africanos, é impossível negar a influência destes para a construção do brasileiro, por mais que muitos ainda queiram. Diante disso, os afrodescendentes seriam uma espécie de transição do brasileiro, trazendo consigo traços dos povos que nos originaram e encaminhando para a construção da identidade do povo brasileiro. O preconceito ainda é bem presente, não é forte e bem aceito de forma geral como no passado, mas ainda existe como um resquício de um valor já ultrapassado. A negação do passado africano existe e, infelizmente, é uma prova da persistência de uma visão desqualificativa do negro que gera o preconceito presente.

O que o futuro reserva é uma questão em aberta. Com o andamento que temos visto da consciência social, a tendência é que mais barreiras de preconceito caiam e permita um maior interesse em conhecer e entender a África para se ter uma visão sem precedentes dela. O conhecimento permite que o preconceito acabe, e esses valores negativos relacionados à África, portanto, tendem a terminar com a busca pela informação. Os afrodescendentes são a peça fundamental nessa formação de consciência: carregam com eles os antigos valores em harmonia com as novas realidades do Brasil hoje. São a prova da boa convivência entre os diferentes e da possibilidade de aprendizado diferenciado.

Responses

  1. ótimo! parabéns! me ajudou bastante no meu trabalho

  2. Excelente texto, ajudou-me discutir a temática com meus alunos. Obrigada.

  3. É muito bom

  4. D+ adorei esse resumo…

  5. mt bom esse texto me ajudou a fazer o meu trabalho e a ter uma melhor visao das coisas e da cultura afro


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