Fogueira de Xangô (25 – 29 de Junho)

Por Luisa Tasima

A Fogueira de Xangô é realizada entre os dias 25 e 29 de junho e faz parte da festa em celebração ao orixá Xangô, de origem Yorubá, que seria um deus do fogo, muito conhecido e respeitado por grande poder e por seu caráter vingativo e violento. Essa comemoração associada ao candomblé é atribuída às comemorações desse mesmo período do calendário cristão, mais conhecidas como as festas de São João e São Pedro. A Fogueira de Xangô possui duas as partes, possibilitando que a cerimônia possa ser dividida: uma onde é acesa uma fogueira em homenagem a Xangô, realizada na parte externa do terreiro, e outra no barracão, onde se realizam as danças e louvações aos Orixás. E sob o comando do Alabê, são entoados os cânticos que estabelecerão a relação entre os homens e as divindades. Os cânticos de Xangô são considerados como os mais tradicionais e próximos daqueles produzidos em seu local de origem, a África Ocidental. O ‘alujá’, ritmo preferido de Xangô impera nas cerimônias. Durante a primeira fase das celebrações dedicadas a Xangô, isto é, aquelas realizadas junto à fogueira, são entoadas as rezas do “Orixá do Fogo”, um dos títulos atribuídos ao antigo Alafin de Oyó. São inúmeras as rezas dedicadas a este Orixá. Na reza é saudado Aganju, o Alafin de Oyó, filho de Ajaká e sobrinho de Xangô. Iyaamassê, considerada sua mãe, é quem revela aos mortais, a pedra de raio, símbolo de seu poder, e encontrada ao pé da grande árvore. O brilho do raio e o barulho dos trovões lembram que Aganju vigia do Orun, a terra dos ancestrais, seus súditos e fiéis. O cântico permanecerá por muito tempo, e a cada vez, os vários nomes conhecidos de Xangô são entoados. Sucede a Aganju, no texto, Airá, depois Baru e outros, doze no total. As yawôs executam um bailado próprio desta cerimônia. Após a “Roda de Xangô”, a cerimônia prossegue, louvando o “Orixá do Fogo”, através de danças e cânticos a ele dedicados, num repertório que pode ultrapassar, segundo alguns, a mais de quatrocentas cantigas. A memória de Xangô exerce uma função essencial na vida do povo-do-santo.

Texto adaptado do Jornal A Gaxéta

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