Quem fez e faz a História da África?

Por Luís Viviani

“Arte é o constante esforço do homem de criar para si mesmo uma ordem diferente da realidade que lhe foi dada”

-Chinua Achebe em seu ensaio “The truth of the Fiction”

O objetivo central desse texto é mostrar como a História da África sempre se enquadrou nos estudos eurocêntricos ao longo do tempo, isto é, como os historiadores não davam muita atenção a lugares e culturas que não fossem as do próprio mundo ocidental (Europa e EUA). Paralelamente a isso, entretanto, pretendemos mostrar também uma introdução a uma renovação nesses modelos e métodos, algo que já foi possível graças à conscientização de algumas pesquisas mais recentes. É necessário, então, ter em mente quem fazia a História da África para poder discuti-la.

Por muito tempo (e infelizmente ainda é muito presente em manuais didáticos e livros para o público em geral) a História da África foi definida por modelos etnocêntricos, ou seja, com suas culturas sendo tachadas de igualitárias e estáticas, diferentemente das européias, sempre muito dinâmicas. Basicamente, essas categorias de análise histórica foram trazidas justamente da Europa, sendo a própria Europa o centro dessa história unidirecional do mundo, e com isso o europeu é definido como o “normal”, levando os não-europeus (os africanos, no caso) a aparecerem de forma distorcida, anormal e primitiva. Isto é possível essencialmente pela existência dessas diferenças de princípios, influenciando a idéia que se tem atualmente (e no passado também) da sociedade, da história e da cultura africana.

Essa é a idéia principal que deveria ser desmontada e desconstruída não só aqui no blog, mas também nos livros e manuais para uma mudança na formação do pensamento das pessoas interessadas num estudo africano, com outra visão acerca dessa sociedade, cultura e história da África.

Porém, desde o final da década de 1970, existiram grandes mudanças nas pesquisas historiográficas, são os novos tempos chegando, e com eles novos modelos que se tornaram mais flexibilizados com relação a novas sínteses, novas formas que levaram os estudos a lógicas NÃO européias, isto é, há em contínua evolução a construção de modelos que trabalham com o específico de determinada região aliado a busca de um formato com novos métodos de interpretação sem a influência européia, transformando a África como produtora principal de sua própria história. Isto é visível em historiadores atuais como, por exemplo: Alberto da Costa e Silva, John Thornton, Steven Feierman, etc. Além da importância de próprios escritores africanos como: Chinua Achebe, Hampatá Bâ, Anta Diop.

Resumindo, o que tentamos deixar claro é de que já se foi o tempo em que a História da África era parcial e única e que também silenciava as vozes dos africanos. É necessário tem a noção dos africanos e da África como agentes de sua própria história. Uma nova História da África está para ser escrita.

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